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Pedro
Juan Gutiérrez: O cronista de Havana
"A arte só importa quando irreverente,
atormentada, cheia de pesadelos e desespero". A frase,
do escritor cubano Pedro
Juan Gutiérrez, dá bem a medida do estilo
deste que está sendo considerado uma das maiores revelações
da literatura cubana atual. Gutiérrez é o entrevistado
do Café
Literário Desvio de conduta: existe literatura
marginal?, dia 23 de maio, às 20 horas.
| Seu
livro, Trilogia
suja de Havana, publicado no Brasil em 1999, e nunca
editado em Cuba, apresenta uma visão impiedosa
da ilha de Fidel. Nas três histórias apresentadas,
os personagens - sempre baseados em pessoas que o autor
conheceu - travam uma luta desesperada pela sobrevivência.
São bêbados, mendigos e prostitutas. |
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Gutiérrez reconhece
que 90% da obra, inclusive, são autobiográficos.
"Às vezes penso que me desnudei em demasia diante
do público. Trilogia é uma catarse,
que escrevi entre 1994 e 1997, quando saía de um divórcio
e tive que me separar de meus filhos. Além disso, o
país estava em crise e meu pai havia morrido."
Nascido em Cuba, em 1950,
Gutiérrez, que já trabalhou como vendedor
de jornais e cortador
de cana-de-açúcar, diz que suas paixões
são a pintura e
a literatura, que ele
descobriu porque teve a sorte de morar próximo a uma
das melhores bibliotecas de seu tempo, onde passava horas
lendo desde comics (muito populares nos anos 50) até
Truman Capote, que ele diz ser uma das influências mais
fortes de seu trabalho, ao lado de Norman Mailer, Grace Paley
e Salinger, além de Cortázar e Kafka.
Além da leitura
de comics e da poesia, que
escreve desde os 13 ou 14 anos, o trabalho como jornalista
foi fundamental para que ele se tornasse escritor, como ele
explica: "A poesia me ensinou a trabalhar palavra por
palavra. O jornalismo me deu o lado pragmático."
Gutiérrez publicou ainda O
rei de Havana (editado no Brasil em fevereiro deste ano).
Até o fim do ano, Animal
tropical, seu próximo livro, será publicado.
Leia as crônicas de Gutiérrez
O
mundo aos olhos do 'animal tropical'
Caos
cubano compensa vazio europeu
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O
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