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O
Rei do Café
Evento que termina neste domingo foi sucesso
de público, valorizou livros e escritores, mas não
está imune a críticas
Nem Montalbán,
nem Carmen Posadas. O escritor cubano Pedro
Juan Gutiérrez foi o protagonista
do melhor Café Literário já realizado,
até o momento, na X Bienal do Livro do Rio. Na noite
de quarta-feira ele bebeu rum, falou à vontade, se
espreguiçou no meio da entrevista e - como bom cubano
- só faltou acender um charuto. Depois de 1h20 comentando
a "literatura marginal", Gutiérrez quebrou
o protocolo e tornou-se o primeiro escritor a conversar com
os presentes, para a alegria dos fãs que gritavam:
"parou por quê?".
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Ele não parou.
Durante o encontro, Gutiérrez parecia estar em
casa, literalmente. Para o cubano - admirador incondicional
do Brasil - Fortaleza e Rio são um prolongamento
de Havana. "Há uma identidade social muito
grande", disse. Além da literatura,
Pedro Juan encontra na pintura
e escultura um refúgio nos momentos em que se afasta
das letras. |
Moderado, mas de certo
modo irreverente, o autor se diz surpreendido com a crítica,
que o rotulou um seguidor de Henry Miller e Hemingway. "Nunca
tinha lido nenhum livro deles quando escrevi ‘Trilogia
Suja de Havana’. Eles têm uma visão
pessimista da vida, e eu crio alegria com meus livros",
afirmou, esticando o comentário aos seus personagens:
"sou o contrário de Agatha Christie, que mata
seus personagens. Quero mais que meu personagem goze a vida,
seja alegre e faça muito sexo", disse, arrancando
risos dos fãs, entre eles o cartunista Jaguar, que
o presenteou com charutos e uma garrafa de rum.
Pedro Juan não
é simplesmente um cubano que viu na revolução
em seu país uma fonte de inspiração literária.
"Sou um escritor de drama humano, e não um autor
político, mas a revolução causou um ‘caos’
em mim", confessou. Para quem foi jornaleiro, instrutor
de natação, trabalhou
no campo e conquistou garotas com suas poesias
juvenis, a literatura tornou-se a melhor forma de expressar
sua visão da nação comandada por Fidel,
a quem poupou comentários. "Me preocupava em encontrar
um tema, mas descobri que o tema estava no cotidiano do povo
cubano, nas coisas simples", argumentou, com a experiência
de 26 anos de jornalismo.
O sucesso talvez esteja
na simplicidade de sua linguagem: direta e desprovida de metáforas.
Seus dois livros, "Trilogia suja de Havana"
(crônicas) e "O
rei de Havana" (romance-lançamento), da Companhia
das Letras, tornaram-se best-seller na Europa e abriram
caminho para o terceiro, o romance "Animal
tropical", lançado recentemente na Espanha
e que deve chegar ao Brasil nos próximos meses.
O autor ainda pretende
lançar "O
insaciável homem-aranha" (contos), que já
está no prelo. A produção constante e
o segredo do sucesso são conseqüência de
um ritual: "Acordo, tomo um café e com muita paciência
escrevo num lugar quieto. Quero que o leitor consiga ler meu
livro até o final", disse, tomando em seguida
uma dose de rum, que considera uma das poucas alegrias que
o cubano goza, além da salsa e do sexo. No entanto,
a consagração de sua obra pode lhe dar muito
mais que uma boa dose de sua bebida predileta.
Leia as crônicas de Gutiérrez
O
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Caos
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