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O nosso GG em Havana
Pedro Juan Gutiérrez
Editora:Editora Objetiva Ltda. Rio de Janeiro, Brasil
Colecção: Ficção
Publicado em: 2008
Tradutor: Ari Roitman e Paulina Wacht
Título original: Nuestro GG en La Habana
Encadernação: Brochura
125 páginas
ISBN: 9788560281435
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Outras edições:
Com o manuscrito do romance O americano tranqüilo na mala, um de seus livros que viriam a se tornar mais famosos, o escritor britânico Graham Greene chega a Havana em julho de 1955 para esclarecer um mistério que envolve seu nome. Na capital da Cuba pré-Fidel, motivado pela curiosidade de escritor, acaba mergulhado num mundo onde convivem artistas pornôs, travestis, agentes do FBI e da KGB, caçadores de nazistas e a máfia italiana de Nova York.
Baseado em fatos reais e com ritmo de romance policial, Nosso GG em Havana recria essa época pouco conhecida da história cubana mais recente. "É uma história cujo objetivo é divertir. Fala da máfia italiana aqui em Cuba, da época do ditador Fulgêncio Batista e da presença do FBI em Havana", explica o autor Pedro Juan Gutiérrez. Aos 56 anos, 26 dos quais dedicados ao jornalismo, o escritor cubano também explora como tema deste romance a força da palavra escrita, a sedução que ela exerce sobre o leitor e o temor que em geral suscita nos poderosos.
Nosso GG em Havana é, ao mesmo tempo, entretenimento e uma divertida reflexão sobre o ofício do escritor. "A filosofia nos romances é como o bitter nos coquetéis. Duas gotas. Três é exagero", diz Gutiérrez com a voz de seu protagonista, Graham Greene. Ou ainda, mais adiante: "Um romance é como um edifício. Não se podem botar portas e janelas em qualquer lugar. É preciso saber qual é o ponto exato em que devem ficar. E qual é o tamanho, o estilo, a cor que devem ter. Como acontece com os edifícios, alguns romances são singulares e perduram e são visitados por milhões de pessoas. Outros são anódinos e vulgares e não atraem ninguém, até que desmoronam com o passar do tempo."
Um romance incomum, Nosso GG em Havana preconiza um enfoque muito original na literatura policial.
Os leitores das cinco obras anteriores que compõem o seu Ciclo do Centro de Havana encontrarão aqui as marcas registradas da obra do autor, que ficou famoso mundialmente depois de publicar 11 livros em 20 países, com tradução para 18 idiomas, explorando, sempre de forma mordaz e direta, a marginalidade, o sexo e a miséria em Havana.
Este, porém, é apenas o quinto livro de Gutiérrez lançado em Cuba. Antes de ser publicado na terra natal do escritor, Nosso GG em Havana já havia sido lançado na Itália e na Espanha, e comprado depois por uma editora britânica. "Em Cuba, alguns me amam e outros me odeiam", disse o escritor numa entrevista em seu apartamento no bairro de Centro Havana, onde ambienta a maioria de suas histórias. Ele, que prefere não falar de política, acredita que em Cuba só são permitidos os livros "menos provocativos".
Após publicar Trilogia suja de Havana, livro que o lançou para a fama, em 1998, a revista estatal Bohemia, para a qual trabalhava, o demitiu. "No jornalismo que se faz em Cuba há zonas silenciosas. De certa forma, essas zonas só ganham espaço quando se escreve um conto ou um romance, mesmo que inconscientemente", diz ele.
Sobre Graham Greene
Um dos mais importantes romancistas de língua inglesa, Graham Greene foi um mestre em contar histórias de espionagem que valorizam não só o cenário político da época - na maioria das vezes, a Guerra Fria -, como também o caráter e os dramas morais dos personagens retratados na trama. Nasceu em 1904, na Inglaterra. Era tímido, sensível, e preferia a leitura aos esportes. Seu pai, diretor do colégio onde estudava, o atormentava por isso, o que fez com que tentasse várias vezes se suicidar. Aos 15 anos, após abandonar a escola, foi mandado para um psiquiatra, em Londres, que o incentivou a escrever.
Estudou história contemporânea no Balliol College e, depois, foi para a universidade. Lá conseguiu alguma experiência trabalhando como editor do Oxford Outlook e passou a se interessar por política, depois de se filiar ao Partido Comunista, segundo ele mesmo, por diversão.
Concluiu seu primeiro romance antes de se formar. Trabalhou como editor-assistente no Times, em Londres, em 1926, casou-se com Vivien Dayrell-Browning e escreveu seus primeiros romances políticos: The Episode, rejeitado pelos editores, e The Man Within, que foi publicado com sucesso e o levou a tomar a decisão de se tornar um escritor.
Escreveu também roteiros para filmes, sendo o mais famoso deles a adaptação de The Third Man. Viajou pelo mundo e, durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou para o Serviço Secreto Inglês em Serra Leoa. Suas constantes viagens serviam de combustível para seus livros. Foi ao Vietnã durante a guerra na Indochina, ao Quênia durante o levante Mau Mau, à Polônia stalinista, à Cuba de Castro e ao Haiti de Duvalier. Depois da publicação de The Quiet American, o autor foi acusado de ser antiamericano.
Sua vida pessoal também foi cheia de notoriedade: o sucesso financeiro depois da metade dos anos 60 permitiu que ele vivesse confortavelmente em Londres, em Antibes e em Capri. Teve várias amantes e confessou ser "um péssimo marido" - separou-se da esposa ainda em 1948, mas nunca chegou a se divorciar dela. Nos últimos anos de vida, viveu em Vevey, na Suíça, com Yvonne Cloetta. Faleceu no dia 3 de abril de 1991.
Sobre o autor
Pedro Juan Gutiérrez nasceu em Matanzas, Cuba, em 1950. Exerceu os mais diversos ofícios desde os 11 anos: vendedor de sorvetes e de jornais, instrutor de caiaque, cortador de cana-de-açúcar, operário agrícola, soldado, locutor de rádio e jornalista, en-tre muitos outros que prefere esquecer. Sua obra narrativa foi publicada em vinte países, com um sucesso crescente de crítica e de público. É considerado por renomados críticos dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da Alemanha como um "escritor cult", um mito em expansão.
Sua obra denominada Ciclo do Centro de Havana é um conjunto de cinco volumes de romances e relatos, todos publicados pela editora Anagrama, e composto por Trilogia suja de Havana (1998), O rei de Havana (1999), Animal tropical (2000), O insaciável homem-aranha (2002) e Carne de cachorro (2003). Também é autor de vários livros de poesia, e com este romance publicado agora pela Alfaguara inicia uma nova fase criativa. Atualmente, se dedica apenas à literatura e à pintura. Mora em Havana.
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